Perguntas Frequentes
Reunimos as dúvidas mais comuns dos nossos pacientes sobre lesões do joelho, cirurgia e recuperação. Respostas claras, baseadas em evidência, escritas para si — não para médicos.
Uma lesão desportiva do joelho é qualquer dano nas estruturas desta articulação — ligamentos, meniscos, cartilagem, tendões ou ossos — causado pela prática de atividade física. Pode acontecer de forma aguda (um entorse, uma queda, um choque) ou de forma gradual, pelo esforço repetido ao longo do tempo.
O joelho é uma das articulações mais exigidas no desporto, especialmente em modalidades com mudanças de direção, saltos ou contacto físico, como o futebol, o basquetebol ou o padel. Por isso, é também uma das mais suscetíveis a lesões.
Os sinais mais frequentes incluem:
- Dor — localizada ou difusa, que piora com o movimento ou com o apoio do peso
- Inchaço — acumulação de líquido na articulação, que pode surgir rapidamente após a lesão
- Instabilidade — sensação de que o joelho «falha» ou não aguenta
- Limitação de movimento — dificuldade em dobrar ou esticar o joelho completamente
- Bloqueio articular — incapacidade súbita de mover o joelho, comum em lesões meniscais
- Estalo ou clique — som audível no momento da lesão, frequente nas roturas ligamentares
Se apresenta um ou mais destes sinais após uma atividade desportiva, é importante ser avaliado por um especialista. Um diagnóstico precoce faz toda a diferença no resultado do tratamento.
Não necessariamente. A decisão depende do tipo e gravidade da lesão, da sua idade, do nível de atividade desportiva e dos seus objetivos funcionais.
Muitas lesões respondem bem a tratamento conservador: fisioterapia, reabilitação muscular, repouso relativo e, em alguns casos, infiltrações ou tratamentos biológicos como o PRP. A cirurgia é considerada quando as opções não cirúrgicas não são suficientes — ou quando a lesão, pelo seu tipo, tem indicação cirúrgica clara (como certas roturas do ligamento cruzado anterior em atletas jovens e ativos).
Na consulta, o seu caso é avaliado de forma individualizada e todas as opções são explicadas em detalhe, para que a decisão seja tomada de forma informada e conjunta.
Depende da cirurgia realizada e de cada pessoa. A título indicativo:
- Artroscopia simples (limpeza articular, meniscectomia parcial): 2 a 6 semanas para atividades quotidianas; 4 a 8 semanas para regresso ao desporto
- Sutura meniscal: 3 a 4 meses para retomar atividade desportiva de forma progressiva
- Reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA): 6 a 9 meses até ao regresso à competição, com programa de reabilitação faseado
- Prótese do joelho: primeiras semanas focadas na mobilidade e controlo da dor; regresso a atividades do dia a dia em 4 a 6 semanas; atividade de baixo impacto a partir dos 3 meses
Estas são estimativas gerais. O tempo real de recuperação varia com a evolução individual, a dedicação à fisioterapia e o tipo de atividade a retomar.
A reabilitação é um processo progressivo, dividido em fases:
- Fase aguda — Controlo da dor e do inchaço, proteção da articulação, manutenção da mobilidade passiva
- Fase de recuperação — Recuperação da amplitude de movimento completa e início do fortalecimento muscular
- Fase funcional — Fortalecimento progressivo, treino de equilíbrio e proprioceção, exercícios específicos para o desporto
- Fase de regresso ao desporto — Progressão gradual para as exigências da modalidade, com critérios funcionais de segurança antes da alta desportiva
A reabilitação é feita em coordenação com fisioterapeutas especializados, com acompanhamento médico regular para monitorizar a evolução e ajustar o programa.
O regresso ao desporto não é definido apenas pelo tempo — é definido por critérios funcionais. Força, estabilidade, mobilidade e confiança no joelho são avaliados antes de autorizar o regresso à atividade competitiva.
Como referência geral:
- Entorses ligeiros: 1 a 3 semanas
- Lesões meniscais tratadas cirurgicamente:Lesões meniscais tratadas cirurgicamente:Lesões meniscais tratadas cirurgicamente: 1 a 2 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura) 2 a 4 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura)2 a 4 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura)
- Rotura do LCA com reconstrução: Rotura do LCA com reconstrução: 9 a 12 meses
O mais importante é não precipitar o regresso — uma recidiva por regresso precoce pode resultar numa lesão mais grave do que a original.
A cirurgia robótica é utilizada principalmente nos procedimentos de artroplastia (prótese) do joelho, tanto parcial (unicompartimental) como total. Neste contexto, o sistema robótico auxilia o cirurgião no planeamento e execução dos cortes ósseos com uma precisão milimétrica.
Os benefícios para o paciente são concretos:
- Maior precisão no alinhamento da prótese, reduzindo o desgaste a longo prazo
- Menor trauma nos tecidos envolventes, por cortes mais controlados
- Recuperação mais rápida e com menos dor no pós-operatório
A Dra. Filipa Gonçalves Pereira integrou a equipa que realizou as primeiras próteses de joelho com assistência robótica em Portugal, no CHU Santo António — e continua a incorporar esta tecnologia na sua prática cirúrgica.
Após uma artroscopia, a fisioterapia começa geralmente nos primeiros dias após a cirurgia. O protocolo adapta-se ao procedimento realizado, mas segue tipicamente esta progressão:
- Dias 1–7: Controlo do inchaço (gelo, elevação), exercícios de mobilização passiva, ativação muscular suave (contração do quadricípite)
- Semanas 2–4: Recuperação da amplitude de movimento completa, início do fortalecimento em cadeia fechada (leg press suave, mini-agachamentos), marcha normal sem canadianas
- Semanas 4–8: Fortalecimento progressivo, treino de equilíbrio e proprioceção, exercícios funcionais
- Mês 2 em diante: Progressão para atividades de maior impacto e, quando indicado, regresso ao desporto
O protocolo exato é sempre definido em função do procedimento realizado e da evolução de cada doente.
Antes de considerar a cirurgia, existem várias abordagens não cirúrgicas eficazes:
- Fisioterapia e reabilitação — Fortalecimento muscular, melhoria da estabilidade articular e correção biomecânica
- Modificação da atividade — Adaptação temporária do desporto ou exercício para reduzir a carga no joelho
- Ortóteses e palmilhas — Suporte e correção do alinhamento, especialmente em casos de gonartrose assimétrica
- Medicação anti-inflamatória — Alívio da dor e controlo da inflamação aguda
- Infiltrações com corticoides — Alívio rápido em casos de inflamação intensa
- Viscossuplementação (ácido hialurónico) — Melhoria da lubrificação articular em casos de artrose
- PRP (Plasma Rico em Plaquetas) — Tratamento biológico com propriedades anti-inflamatórias e regenerativas
- Osteotomia corretiva — Nos casos de artrose assimétrica, correção do eixo do membro para redistribuir a carga sem recorrer a prótese
A escolha da abordagem depende do diagnóstico, da fase da doença e dos objetivos do paciente.
O diagnóstico diferencial começa na consulta, com uma avaliação clínica detalhada: história da lesão, localização e tipo de dor, mecanismo de lesão e exame físico específico (testes de estabilidade ligamentar, avaliação meniscal, palpação articular).
Na maioria dos casos, os exames de imagem complementam o diagnóstico:
- Radiografia: avalia o osso, o espaço articular e eventuais fraturas
- Ecografia: útil para tendões e estruturas superficiais
- Ressonância Magnética (RM): o exame de eleição para ligamentos, meniscos e cartilagem — permite visualizar lesões nos tecidos moles com grande detalhe
A combinação de exame clínico rigoroso com os exames adequados permite um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.
O diagnóstico precoce é fundamental por várias razões:
- Permite iniciar o tratamento correto mais cedo, evitando que uma lesão tratável evolua para algo mais complexo
- Previne lesões secundárias — por exemplo, uma rotura do LCA não tratada aumenta significativamente o risco de lesão meniscal e degeneração da cartilagem
- Melhora o prognóstico — em muitas lesões, o tratamento precoce está associado a melhores resultados funcionais e regresso mais rápido ao desporto
- Evita compensações — uma lesão não diagnosticada leva frequentemente a alterações na forma de caminhar ou de praticar desporto, que podem originar lesões noutras articulações
Se teve uma lesão e os sintomas não melhoram em 48–72 horas com repouso e gelo, não adie a consulta.
As primeiras horas e dias após a cirurgia são dedicados ao controlo da dor, do inchaço e à proteção da articulação. De forma geral:
- Nas primeiras 24–48h: Repouso com o membro elevado, aplicação de gelo (ciclos de 20 minutos), medicação analgésica e anti-inflamatória prescrita
- Penso e cuidados da ferida: Instruções específicas para manter a ferida limpa e seca; o penso é geralmente trocado na primeira consulta de revisão
- Canadianas: Dependendo da cirurgia, podem ser necessárias por alguns dias a algumas semanas para descarga parcial ou total do joelho
- Mobilização precoce: Na maioria das cirurgias artroscópicas, o início da mobilização começa ainda no primeiro dia, sendo parte fundamental da recuperação
- Regresso a casa: A maioria das cirurgias artroscópicas é realizada em ambulatório ou com internamento de uma noite
Antes de sair do bloco, a Dra. Filipa e a sua equipa explicam todos os cuidados a ter em casa e os sinais de alerta a vigiar.
