Dra. Filipa Gonçalves Pereira
    Dúvidas Comuns

    Perguntas Frequentes

    Reunimos as dúvidas mais comuns dos nossos pacientes sobre lesões do joelho, cirurgia e recuperação. Respostas claras, baseadas em evidência, escritas para si — não para médicos.

    Uma lesão desportiva do joelho é qualquer dano nas estruturas desta articulação — ligamentos, meniscos, cartilagem, tendões ou ossos — causado pela prática de atividade física. Pode acontecer de forma aguda (um entorse, uma queda, um choque) ou de forma gradual, pelo esforço repetido ao longo do tempo.

    O joelho é uma das articulações mais exigidas no desporto, especialmente em modalidades com mudanças de direção, saltos ou contacto físico, como o futebol, o basquetebol ou o padel. Por isso, é também uma das mais suscetíveis a lesões.

    Os sinais mais frequentes incluem:

    • Dor — localizada ou difusa, que piora com o movimento ou com o apoio do peso
    • Inchaço — acumulação de líquido na articulação, que pode surgir rapidamente após a lesão
    • Instabilidade — sensação de que o joelho «falha» ou não aguenta
    • Limitação de movimento — dificuldade em dobrar ou esticar o joelho completamente
    • Bloqueio articular — incapacidade súbita de mover o joelho, comum em lesões meniscais
    • Estalo ou clique — som audível no momento da lesão, frequente nas roturas ligamentares

    Se apresenta um ou mais destes sinais após uma atividade desportiva, é importante ser avaliado por um especialista. Um diagnóstico precoce faz toda a diferença no resultado do tratamento.

    Não necessariamente. A decisão depende do tipo e gravidade da lesão, da sua idade, do nível de atividade desportiva e dos seus objetivos funcionais.

    Muitas lesões respondem bem a tratamento conservador: fisioterapia, reabilitação muscular, repouso relativo e, em alguns casos, infiltrações ou tratamentos biológicos como o PRP. A cirurgia é considerada quando as opções não cirúrgicas não são suficientes — ou quando a lesão, pelo seu tipo, tem indicação cirúrgica clara (como certas roturas do ligamento cruzado anterior em atletas jovens e ativos).

    Na consulta, o seu caso é avaliado de forma individualizada e todas as opções são explicadas em detalhe, para que a decisão seja tomada de forma informada e conjunta.

    Depende da cirurgia realizada e de cada pessoa. A título indicativo:

    • Artroscopia simples (limpeza articular, meniscectomia parcial): 2 a 6 semanas para atividades quotidianas; 4 a 8 semanas para regresso ao desporto
    • Sutura meniscal: 3 a 4 meses para retomar atividade desportiva de forma progressiva
    • Reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA): 6 a 9 meses até ao regresso à competição, com programa de reabilitação faseado
    • Prótese do joelho: primeiras semanas focadas na mobilidade e controlo da dor; regresso a atividades do dia a dia em 4 a 6 semanas; atividade de baixo impacto a partir dos 3 meses

    Estas são estimativas gerais. O tempo real de recuperação varia com a evolução individual, a dedicação à fisioterapia e o tipo de atividade a retomar.

    A reabilitação é um processo progressivo, dividido em fases:

    • Fase aguda — Controlo da dor e do inchaço, proteção da articulação, manutenção da mobilidade passiva
    • Fase de recuperação — Recuperação da amplitude de movimento completa e início do fortalecimento muscular
    • Fase funcional — Fortalecimento progressivo, treino de equilíbrio e proprioceção, exercícios específicos para o desporto
    • Fase de regresso ao desporto — Progressão gradual para as exigências da modalidade, com critérios funcionais de segurança antes da alta desportiva

    A reabilitação é feita em coordenação com fisioterapeutas especializados, com acompanhamento médico regular para monitorizar a evolução e ajustar o programa.

    O regresso ao desporto não é definido apenas pelo tempo — é definido por critérios funcionais. Força, estabilidade, mobilidade e confiança no joelho são avaliados antes de autorizar o regresso à atividade competitiva.

    Como referência geral:

    • Entorses ligeiros: 1 a 3 semanas
    • Lesões meniscais tratadas cirurgicamente:Lesões meniscais tratadas cirurgicamente:Lesões meniscais tratadas cirurgicamente: 1 a 2 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura) 2 a 4 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura)2 a 4 meses (meniscectomia) ou 4 a 6 meses (sutura)
    • Rotura do LCA com reconstrução: Rotura do LCA com reconstrução: 9 a 12 meses

    O mais importante é não precipitar o regresso — uma recidiva por regresso precoce pode resultar numa lesão mais grave do que a original.

    A cirurgia robótica é utilizada principalmente nos procedimentos de artroplastia (prótese) do joelho, tanto parcial (unicompartimental) como total. Neste contexto, o sistema robótico auxilia o cirurgião no planeamento e execução dos cortes ósseos com uma precisão milimétrica.

    Os benefícios para o paciente são concretos:

    • Maior precisão no alinhamento da prótese, reduzindo o desgaste a longo prazo
    • Menor trauma nos tecidos envolventes, por cortes mais controlados
    • Recuperação mais rápida e com menos dor no pós-operatório

    A Dra. Filipa Gonçalves Pereira integrou a equipa que realizou as primeiras próteses de joelho com assistência robótica em Portugal, no CHU Santo António — e continua a incorporar esta tecnologia na sua prática cirúrgica.

    Após uma artroscopia, a fisioterapia começa geralmente nos primeiros dias após a cirurgia. O protocolo adapta-se ao procedimento realizado, mas segue tipicamente esta progressão:

    • Dias 1–7: Controlo do inchaço (gelo, elevação), exercícios de mobilização passiva, ativação muscular suave (contração do quadricípite)
    • Semanas 2–4: Recuperação da amplitude de movimento completa, início do fortalecimento em cadeia fechada (leg press suave, mini-agachamentos), marcha normal sem canadianas
    • Semanas 4–8: Fortalecimento progressivo, treino de equilíbrio e proprioceção, exercícios funcionais
    • Mês 2 em diante: Progressão para atividades de maior impacto e, quando indicado, regresso ao desporto

    O protocolo exato é sempre definido em função do procedimento realizado e da evolução de cada doente.

    Antes de considerar a cirurgia, existem várias abordagens não cirúrgicas eficazes:

    • Fisioterapia e reabilitação — Fortalecimento muscular, melhoria da estabilidade articular e correção biomecânica
    • Modificação da atividade — Adaptação temporária do desporto ou exercício para reduzir a carga no joelho
    • Ortóteses e palmilhas — Suporte e correção do alinhamento, especialmente em casos de gonartrose assimétrica
    • Medicação anti-inflamatória — Alívio da dor e controlo da inflamação aguda
    • Infiltrações com corticoides — Alívio rápido em casos de inflamação intensa
    • Viscossuplementação (ácido hialurónico) — Melhoria da lubrificação articular em casos de artrose
    • PRP (Plasma Rico em Plaquetas) — Tratamento biológico com propriedades anti-inflamatórias e regenerativas
    • Osteotomia corretiva — Nos casos de artrose assimétrica, correção do eixo do membro para redistribuir a carga sem recorrer a prótese

    A escolha da abordagem depende do diagnóstico, da fase da doença e dos objetivos do paciente.

    O diagnóstico diferencial começa na consulta, com uma avaliação clínica detalhada: história da lesão, localização e tipo de dor, mecanismo de lesão e exame físico específico (testes de estabilidade ligamentar, avaliação meniscal, palpação articular).

    Na maioria dos casos, os exames de imagem complementam o diagnóstico:

    • Radiografia: avalia o osso, o espaço articular e eventuais fraturas
    • Ecografia: útil para tendões e estruturas superficiais
    • Ressonância Magnética (RM): o exame de eleição para ligamentos, meniscos e cartilagem — permite visualizar lesões nos tecidos moles com grande detalhe

    A combinação de exame clínico rigoroso com os exames adequados permite um diagnóstico preciso e um plano de tratamento personalizado.

    O diagnóstico precoce é fundamental por várias razões:

    • Permite iniciar o tratamento correto mais cedo, evitando que uma lesão tratável evolua para algo mais complexo
    • Previne lesões secundárias — por exemplo, uma rotura do LCA não tratada aumenta significativamente o risco de lesão meniscal e degeneração da cartilagem
    • Melhora o prognóstico — em muitas lesões, o tratamento precoce está associado a melhores resultados funcionais e regresso mais rápido ao desporto
    • Evita compensações — uma lesão não diagnosticada leva frequentemente a alterações na forma de caminhar ou de praticar desporto, que podem originar lesões noutras articulações

    Se teve uma lesão e os sintomas não melhoram em 48–72 horas com repouso e gelo, não adie a consulta.

    As primeiras horas e dias após a cirurgia são dedicados ao controlo da dor, do inchaço e à proteção da articulação. De forma geral:

    • Nas primeiras 24–48h: Repouso com o membro elevado, aplicação de gelo (ciclos de 20 minutos), medicação analgésica e anti-inflamatória prescrita
    • Penso e cuidados da ferida: Instruções específicas para manter a ferida limpa e seca; o penso é geralmente trocado na primeira consulta de revisão
    • Canadianas: Dependendo da cirurgia, podem ser necessárias por alguns dias a algumas semanas para descarga parcial ou total do joelho
    • Mobilização precoce: Na maioria das cirurgias artroscópicas, o início da mobilização começa ainda no primeiro dia, sendo parte fundamental da recuperação
    • Regresso a casa: A maioria das cirurgias artroscópicas é realizada em ambulatório ou com internamento de uma noite

    Antes de sair do bloco, a Dra. Filipa e a sua equipa explicam todos os cuidados a ter em casa e os sinais de alerta a vigiar.